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Top Capas


Bom, já vos apresentei um top dos melhores livros de 2012, segundo a revista Ler. Esta semana viro-me para as revistas. E tenho de confessar que não tenho muito o hábito de ler revistas. Mas há algo nas revistas que me fascina…sabem o que é? 

A capa. É verdade. E há capas que me deixam petrificada e, assim como os livros, me transportam momentaneamente para outras realidades. Afinal quantas vezes já vos aconteceu pegar numa revista/livro porque a capa se destacou das/dos restantes? Algumas, certo? Provavelmente passa despercebida a muitos, mas a capa de uma revista é algo que diretores de arte, editores e designers se ocupam com uma seriedade quase neurótica resultando daí verdadeiras obras primas.

E é por isso mesmo que hoje vos trago as 10 capas que a revista Time elegeu como sendo as melhores de 2012. Boas Leituras!


1º Revista New York, 3 de novembro de 2012. Fotografia de Iwan Baan.

“Jody Quon, a directora de fotografia, juntamente com a sua equipa, imaginou uma versão desta fotografia, e decidiram enviar Iwan Baan de helicóptero para os céus de Nova Iorque para tentar obter a foto. Mas assim que vimos a fotografia acho que ficámos todos arrebatados com a forma como conseguiu ilustrar as divisões da cidade que nós já tentávamos descrever há algum tempo; e também com a beleza da foto. A fotografia não foi, de todo, fácil de conseguir e Baan acertou em cheio – como mensagem e como arte.” - Adam Moss, Editor Chefe na revista New York 








M Le magazine du Monde, 28 de abril de 2012. Fotografia de Toby Melville—Reuters 

“Com a temporada de eleições francesas em pleno começo, o nosso jornal decidiu escrever um artigo, que revisitasse as reuniões de Elizabeth II, Rainha da Inglaterra, realizadas com os nossos presidentes franceses durante o seu reinado. A escolha recaiu sobre esta imagem particular da rainha vista de trás, menos clássica e certamente mais surpreendente para os nossos leitores, do que ver o seu rosto. A coroa e os atributos reais ajudaram a evocar o fato de que todos os nossos presidentes franceses vêm e vão, mas ela continua, firmemente sentada no seu trono. O plano de fundo azul e vermelho, juntamente com o casaco de pele da rainha e os seus cabelos brancos, pareciam reforçar o impacto visual de uma capa que, de alguma forma, tinha de incluir uma referência às nossas eleições presidenciais francesas, uma vez que era esse o âmbito da história. A fim de reforçar a perspectiva francesa e sugerir a bandeira de França também resolvi inverter, com o consentimento da agência, a fotografia de Toby Melville." - Eric Pillault, DirectorCriativo, M Le magazine du Monde





W Magazine, dezembro de 2012. Fotografia de Tim Walker.

"Esta foto foi uma junção de Hans Christian Andersen com o Quebra-Nozes, e com os fatos de borracha de fetiche.
O pano de fundo vermelho foi feito de látex para combinar com o fato de fetiche de borracha de Jacob K. O rosto e os membros que atravessam o pano de fundo foi algo que descobrimos no dia a explorar o set. O cenógrafo, Andy Hillman, ficou atrás do pano de fundo para ajudar a estabilizar Marion durante o caminho rochoso do jardim de rosas, onde filmámos, nos arredores de Paris... Conforme o Andy amparava a sua queda percebi o quão bem a forma das suas mãos ficava ao atravessar a borracha. Marion apercebeu-se disso rapidamente... e Voila... nasceu o homem de borracha que se transforma através da borracha! Foi realmente um desenvolvimento espontâneo através de uma brincadeira no set." 
- Tim Walker, Fotógrafo



Vanity Fair, dezembro de 2012. Fotografias de Mark Seliger. 

“De fato, [a minha esposa] Leslie Mann pensou na ideia. Fomos à internet e olhamos para uma tonelada de capas da Vanity Fair e tentámos pensar em algo único. Leslie pensou fazer algo grande e brilhante, como aqueles grandes quadros de Goldie Hawn do Laugh-In. Isto levou à ideia de fazer uma capa que agrupasse todas aquelas demonstrações de variedade dos anos 60 e início dos anos 70. Não quisemos que fosse uma paródia clara, mas uma combinação bizarra de pessoas vestidas como aquelas personagens e outras que não se soubesse ao certo quem eram. A parte complicada ainda estava para vir com todos os fatos e conseguir que todos os comediantes concretizassem a ideia. Trabalho com comediantes tantas vezes que sabia que tinha de falar com eles com semanas de antecedência — cada fato é uma piada, portanto eles têm de gostar da piada. Foi muito trabalhoso — e Colleen Atwood, que criou os fatos, foi realmente o herói anónimo ao coordenar toda a gente — mas foi obviamente muito divertido.” -Judd Apatow, Editor convidado, Vanity Fair

The New York Times Magazine, 2 de março de 2012. Edição fotográfica de Idris Khan. 

“Em novembro de 2011, Kathy Ryan enviou-me um email a perguntar se me interessaria na criação de uma série de imagens para um artigo especial sobre Londres para publicar no ano olímpico 2012. Sempre quis fazer um trabalho com as vistas turísticas mais célebres de Londres: London Eye «também conhecido como Roda do Milénio», Buckingham Palace, St Paul's, The Houses of Parliament e Tower Bridge O meu trabalho é sobre a repetição, e eu pensei quantas vezes estes lugares tinham sido fotografados desde que a fotografia existe. Bilhões de vezes. Mas para estas imagens, quis usar uma fotografia que encontrasse portanto vaguei pelas ruas de Londres e comprei postais em muitas lojas turísticas e reuni aproximadamente cem postais diferentes de cada zona. Procurei também algumas imagens vintage para completar a compilação. Não tinha de usar necessariamente a imagem inteira para criar o composto, mas fotografar fragmentos diferentes e agrupá-los. Fazendo isto criou uma imagem do tempo esticado capturando a essência do edifício de um modo poético e rítmico.” - Idris Kahn, Fotógrafo



The Economist, 4 de novembro de 2012. Fotografia de Bernat Armangue—AP


“A cobertura de um conflito nunca foi um prazer, mas desde que me tornei pai há um ano, a guerra tornou-se ainda mais difícil cobrir. Este dia foi, particularmente complicado; 11 membros da família de Daloo foram mortos quando um míssil israelense atingiu s casa de dois andares da família em Gaza, e passei o resto do dia a fotografar corpos que iam sendo retirados dos escombros. Tirei esta foto no fim do dia. A morgue estava cheia e muito barulhenta.
Atrás de mim, alguns jornalistas filmavam e fotografavam quatro crianças mortas da família de Daloo. Em frente de mim, um grupo de homens acabados de entrar na sala enfrentava a realidade cruel de descobrir o corpo de um ente querido. Acontecia tudo demasiado rápido, mas lembro-me de ver uma lágrima a cair da mão inerte e de ouvir sussurrar “ma’a salama” (adeus em arábico). Sempre ouvi dizer que a guerra revela o melhor e o pior dos seres humanos. Para mim, foi um momento triste e terno de amor.” - Bernat Armangue, Fotógrafo




New York Magazine, 6 de agosto de 2012. Fotografia de Tim Flach—Getty Images. 

O diretor artístico Randy Minor e o editor de foto Lea Golis tiveram a difícil tarefa de fazer vários cortes aos lábios da foto até ao ponto em que fosse difícil dizer que eram lábios ou se o beijador era um homem ou uma mulher, o que tornou a fotografia muito mais misteriosa. Então quando o diretor de Desenho Tom Alberty pôs a palavra Sexo naquela velha fonte dos anos 60 no espaço entre as bocas, a capa, aos nossos olhos, ficou quase erótica – e, no entanto, é só um simples beijo, verdade. O êxito da capa está na magia do enquadramento.” - Adam Moss, Editor chefe da New York Magazine






Rolling Stone, março de 2012. Fotografia de Nadav Kander.

“Como se não bastasse viver na mesma cidade que Paul, moro a pouco mais de um quilometro dele, aliado ao gozo e ocasião de fotografar um Beatle no mesmo estúdio enorme de gravações onde foram gravados alguns dos seus melhores trabalhos. Quando Paul pegou na sua guitarra e cantou, improvisando palavras sobre mim enquanto cantava, foi um momento memorável e bastante especial.” - Nadav Kander, Fotógrafo











Bloomberg Businessweek, 12 de novembro de 2012. Fotografia de Justin Metz.

“Josh Tyrangiel (O editor da Bloomberg Businessweek) perguntou se devíamos envelhecer Obama quatro anos para a capa do pós eleição? Eu disse 'Sim, é uma boa ideia — vamos fazer isso. ' Recorremos ao Justin Metz do Reino Unido, que faz todos os nossos trabalhos em Photoshop (atualmente gosta de 50% das nossas capas). Portanto, ele envelheceu tanto Obama como Romney. Na realidade, envelhecemo-los demasiado — deliberadamente. Tinha de ser um pouco excessivo para que parecessem diferentes e para que fosse ao mesmo tempo um choque. - Richard Turley, Diretor Criativo, Bloomberg Businessweek



ESPN The Magazine, julho de 2012. Fotografia de Chris Buck.

“Até um par de dias antes da sessão fotográfica houve algumas dúvidas se Arian Foster posaria com um unicórnio. Originalmente tínhamos discutido a ideia de Arian o montar, possivelmente no meio de nuvens fofas, e foi provavelmente essa imagem que o deixou nervoso e de pé atrás.
A editora de fotografia Stephanie Weed e eu discutimos um número de ideias alternativas que pudéssemos apresentar a Karen Frank e John Korpics, mas a Stephanie também tinha uma certa confiança de que a ideia do unicórnio ia resultar. E, como é óbvio teve razão.
A sessão em si foi comparativamente calma e fácil. Tínhamos uma grande equipa de encenadores (John Geary and co.) que montou a nossa floresta encantada, mas só quando o unicórnio entrou no cenário é que o panorama ficou completo. Uma das coisas porreiras sobre a imagem final é que fizemos pouquíssimos retoques para a terminar, uma vez que tudo se conjugou tão naturalmente e tão bem nas gravações.” - Chris Buck, Fotógrafo

Brandwashed


Esta semana trago-vos o livro “Brandwashed” direccionado para os profissionais do Marketing, mas que recomendo a todos os leitores que gostem de compras e queiram perceber o lado invisível da publicidade, os truques que as empresas conhecem, desenvolvem e utilizam para nos seduzir e manipular constantemente.



Martin Lindstrom, é considerado actualmente o guru do branding e do marketing e é consultor de inúmeras empresas, incluindo McDonald’s, Nestlé, Pepsico, Unilever, Nokia e Microsoft, entre outras. 

O autor desenvolveu uma pesquisa, através de câmaras, para perceber quem é o maior persuasor, nós ou as empresas, investindo num 'reality show' (estilo "A casa dos segredos"). Os atores: uma família verdadeira que viveu uma vida de fantasia durante 30 dias. Um mês em que foram observados e filmados, e uma conclusão: "o mais poderoso persuasor oculto somos nós". O livro ajuda-nos a perceber que muitas vezes o que parece natural e espontâneo não é mais do que uma construção empresarial. Compreendemos que as empresas sabem absolutamente tudo sobre nós, desde o nosso gosto no Facebook, à compra no cartão de crédito e o tempo que estivemos num café. O nosso smartphone é hoje em dia o maior aliado das empresas pois somos constantemente controlados e ainda facilitamos com logins no Facebook ou outras redes sociais, e com os registos que fazemos nos sites de compras. Usam sentimentos como a nostalgia, o medo, a culpa, a competitividade e, obviamente, sexo para nos levar a comprar determinado produto ou marca. 

Steven Levitt, o autor do livro “Freakonomics”, escreveu no prefácio do livro «Porque é que pegamos sempre no segundo jornal de uma pilha de jornais, e não no primeiro? Porque é que, ao falarmos ao telemóvel, andamos em círculos? Sabia que «competitividade altruísta»” é o que nos leva a comprar produtos orgânicos e ecológicos? As formas estranhas que os consumidores têm de andar, falar e sacar da carteira é o tema de fundo de «Brandwashed». (…) Prometo que vai adorar descobrir alguns segredos dos bastidores do marketing, tais como quem é o verdadeiro público-alvo das boys bands e como os homens realmente reagem aos anúncios de roupa interior masculina. Só li dois livros de Gestão do princípio ao fim nos últimos 5 anos: «Buyology» e «Brandwashed». Não é coincidência nenhuma que Martin Lindstrom seja autor de ambos os livros. É muito simples: Martin Lindstrom é o marketeer mais inovador e criativo do mundo. Brandwashed é um livro inteligente, provocante e muito divertido». 

Deixo-vos um excerto do livro: 

“É possível ficar viciado em marcas ainda antes de nascer? Sim. Basta mesmo já estar no útero. Quando uma cadeia de centros comerciais asiática percebeu que as mulheres grávidas passavam muito tempo nas lojas montou uma estratégia para as fazer gastar ainda mais dinheiro: espalhou pó de talco Johnson & Johnson nas zonas de venda de roupa, aroma a cereja junto aos restaurantes e música relaxante nos corredores. Um ano depois recebeu centenas de cartas. Todas relatavam o mesmo fenómeno: as crianças que estavam a chorar e a fazer birras acalmavam-se imediatamente assim que entravam no centro comercial, efeito que 60% das mães afirmavam não ter testemunhado em nenhum outro local. Conclusão: a música e os aromas tinham sido sentidos pelos fetos e os bebés reconheciam-nos meses depois.” 

De um modo geral o livro é muito interessante e divertido do princípio ao fim, com alguns momentos que nos surpreendem verdadeiramente. Curiosos? Boas leituras!

Top 10 Livros - 2012


A revista Ler deste mês apresenta-nos boas razões para relembrar 2012 citando os 25 livros do ano. Desde a ficção ao ensaio, da poesia à banda desenhada. Deixo-vos os primeiros 10 títulos. Boas Leituras!!


1.º “O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel”, de Mário de Carvalho 

«Numa e noutra novela, o escritor explora os vícios humanos num tempo que se adquire como passado mas que, ao contrário de datar, lhes confere antes uma intemporalidade inquietante. […] O Varandim Seguido de Ocaso no Carvangel são duas novelas [que] contêm uma densidade avassaladora que agarra o leitor numa teia da qual só sai, com um sorriso amargo que é o da ironia trágica de Carvalho, no derradeiro ponto final. É o teste da grande literatura: felizes dos que não saem ilesos.» Isabel Lucas, Público


2.º “A Piada Infinita”, de David Foster Wallace

« A Piada Infinita, lançado em 1996, é um romance sobre depressão e várias outras desordens mentais e físicas, sobre família, consumos compulsivos, drogas, indústria do entretenimento, terrorismo e agências de segurança e mil outros subtemas explorados pelo autor com a minúcia de um pesquisador de nanopartículas. [...] Por tudo isto, A Piada Infinita é um desafio ao qual poucos leitores conseguem aceder por completo, mas um feito extraordinário, que ficará na história da literatura.» Filipa Melo, Sol



3.º “O Lago” de Ana Teresa Pereira 

«Aos que pudessem achar que a escrita da autora se estava a enredar de modo quase previsível nas suas próprias obsessões, O Lago vem provar que não é exatamente assim. O deserto cresce, confundindo-se com a neve, e a trama deste livro resume-se ao encontro entre um dramaturgo/autor e uma “dançarina ferida” que, ao tornar-se atriz e amante do primeiro, se coloca à mercê de um deus sinistro, alguém que só podia amar “um ser criado para ele” e que “não separa o palco da vida”.» Manuel de Freitas, Atual


4.º “Blankets”, de Craig Thompson 

«Ao contar esta história das pequenas brutalidades que os pais infligem a seus filhos e os irmãos uns aos outros, Thompson descreve a agonia e o êxtase da obsessão (por Deus, por um amor) e não teme denunciar os caminhos pelos quais a obsessão consome a si mesmo e evapora-se.» The New York Times Review of Books




5.º “Não é Meia Noite Quem Quer”, de António Lobo Antunes 

«Se é verdade que o seu modo de as contar está bem mais perto da “livre associação” freudiana do que da lógica diurna do saber consciente, nem por isso estamos em presença do mero registo fragmentário ou, muito menos, da incontinência verbal. O romancista está em controlo, e a “mão” não está em roda livre. Por muito que ele possa sonhar com a mudez que distingue o “irmão surdo”, uma das personagens que dá vida ao livro. Afinal não é meia noite quem quer.» Ana Cristina Leonardo, Expresso


6.º “Contos Escolhidos”, Isaac Babel 

«A obra de Babel cheira a guerra e cavalos, cebolas e arenques, fome e sangue. A escrita fragmentária, paradoxal, na qual a comicidade casa com a crueldade, sai reforçada por associações surpreendentes, incoerências, repetições, construções em elipse. Regada com um humor mordaz e colorido, é uma escrita telúrica (e, nesse sentido, bem russa) que tanto nos horroriza como nos faz soltar gargalhadas.» Margaret Drabble, The Guardian



7.º “Vida no Campo”, de Álvaro Domingues 

«Vida no Campo não é uma, são muitas janelas abertas em simultâneo. Perdidos os nexos estáveis que desvendavam o filme-narrativa da realidade do rural, o actual contexto de mudança acelerada está a desmultiplicar até ao infinito as representações sobre a ruralidade: a pos-, a neo-, a des-ruralizacão. A leitura do rural redistribui-se e dissipa-se em múltiplas esferas, ou, então, é condensada e fantasiada numa só. É impossível manter todas estas janelas abertas em simultâneo e daí nasce uma crise de sentido. É difícil reaprender o rural e sobre ele construir novas identidades» Dafne Editora



8.º “A Confissão da Leoa”, de Mia Couto


«Tendo em conta os contornos da narrativa, atravessada por cosmogonias, lendas, crenças e sonhos premonitórios, havia o risco de Mia Couto cair em estereótipos – ou, pior ainda, nas armadilhas do realismo mágico. Felizmente, tal não acontece. Sobretudo, afigura-se subtil e inteligente o modo de empurrar o leitor para o verdadeiro tema deste romance, que não é a caça (essa “alucinada vertigem” que acontece nas “costas da razão”), nem o receio da força bruta animal ou a “gestão das coisas invisíveis”, mas a trágica e “infindável” guerra entre homens que sempre abusaram do seu poder e mulheres educadas para a renúncia.» José Mário Silva, Expresso


9.º “Um dia na vida de Ivan Deníssovitch” de Aleksandr Soljenítsin 

Foi o primeiro romance publicado na União Soviética relatando a vida nos campos de trabalho dos prisioneiros políticos e a repressão estalinista. Nessa altura, em 1962, embora causando grande polémica interna, a obra foi saudada em todo o mundo como símbolo da nova literatura russa e da abertura krutcheviana. Mas em 1974 Soljenítsin viria, depois de expulso da União dos Escritores, a ser detido e deportado. «Pela imensidão do testemunho, o rigor da arquitetura, o fôlego épico, a riqueza da emoção, a força da ironia, Soljenítsin impôs-nos a sua marca.» Georges Nivat, professor e historiador.




10.º “Estação Central”, de José Tolentino Mendonça 

«Esta é a mais paradoxal das colectâneas do poeta, porque a questão central da “santidade” aparece muito associada ao “lodo”. A geografia nova-iorquina invade os poemas, Greenwich Village, os parques, o rio Hudson, ou o Chelsea Hotel, convocado como “a última morada de Deus” […] os poemas assemelham-se por vezes a salmos ou hinos, mas com referências contemporâneas, ao cinema de Panahi e às canções de Bonnie “Prince” Billy. Existem em estado de contradição, e tanto defendem que a sabedoria consiste em “nada omitir”, como se baseiam em omissões e elisões.» Pedro Mexia, Expresso

Anna Karénina


Começo esta rubrica, com um dos maiores clássicos da literatura russa de sempre e um livro que tem dado que falar graças à recente adaptação ao cinema. Por esta altura já devem fazer uma ideia a que livro me refiro, Anna Karénina de Lev Tolstói. É uma das maiores histórias de amor da literatura mundial e vou tentar fazer a missão impossível de resumir um livro de cerca de 900 páginas em poucas linhas. 

O centro da história é uma relação adultera, escaldante e escandalosa que Anna Karénina tem por Conde Vronsky, tendo de lutar contra os preconceitos da alta-sociedade dessa era. A partir desta ideia, desenvolvem-se os vários temas desta obra: o cinismo, a fidelidade e a inveja, que estão presentes nas personagens e na forma como vivem e sobrevivem numa sociedade russa que Tolstói faz questão de criticar. 

Ana Karénina é um jogo moral, entre felicidade e apatia, entre o socialmente correto e a concretização pessoal. Temos assim a coragem de uma mulher que, por amor, se desgraça perante a sociedade e chega mesmo a abandonar a sua família. No entanto, a sua vida idílica junto do homem que ama também não dura para sempre, e o remorso de ter deixado o seu filho para trás, assim como os ciúmes em relação a Vronsky, levam Anna ao vício de opiáceos e a um final trágico. 

Viciante e envolvente! Leiam o livro, vejam o filme!



Trendy Pages - Nova Rubrica


Nada como começar um novo ano com novidades aqui no nosso canto. Apresento-vos a Trendy Pages, a rubrica que lhe falará sobre livros, revistas, brochuras e outras publicações em papel. 

A própria responsável da rubrica, Cheila Adelino, livreira, faz a sua apresentação:

"Sendo livreira de profissão, esta rubrica surge na intenção de espalhar o gosto pela leitura e ao mesmo tempo partilhar convosco os tesouros literários que andam pelas livrarias. Dediquei-me ao Turismo nos estudos, mas a necessidade e o gosto fizeram com que enveredasse pelos trilhos das palavras. Também vou partilhar convosco algumas das situações mais caricatas que me surgem na loja. Por vezes é uma missão quase impossível descobrir alguns dos livros que as pessoas me pedem, mas com muita (paciência de santa e Google) persistência lá se encontra o livro que me foi pedido, numa linguagem que é uma fusão do ucraniano com o português e tem um pouquinho de japonês à mistura. Vou tentar abordar todo o tipo de livros - livros para crianças, livros para adultos, livros para quem gosta de ler, livros para quem não gosta de ler (sim, também os há) …Vou ainda mostrar-vos revistas, brochuras...enfim, tudo o que tenha letras e que seja pertinente! Fiquem por aí…e boas leituras!!"