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Com a Casa às Costas


Não é uma situação nada comum neste cantinho à beira mar plantado o tema de hoje do Trendy Wheels. Sim, claro que (quase) toda a gente faz uma mudança de casa algures na sua vida, sejam porque simplesmente deixou a asa dos progenitores, ou até porque casou, ou precisa de uma divisão extra para o/a rebento/a, ou por vicissitudes de uma vida que lhe pregou uma partida e há obrigatoriamente que mudar.




Olhando para a imagem acima, vê-se numa situação em que até não precisa de nada daquilo, só mesmo… de levar a sua casa consigo, juntamente com a mobília, as caixas cheias com os seus pertences, mais o cão, o gato e o periquito! 

Há empresas que garantem todo esse processo – nesta fase, ainda não em Portugal – sendo algo muito comum nos EUA, em duas vertentes: ou porque, efectivamente a casa é sua e quer levá-la consigo, por questões sentimentais, porque já não gosta assim tanto do sítio, da vizinhança ou das intempéries da região, arranjou emprego num outro estado, etc; ou então porque encontrou a casa dos seus sonhos por um preço canhão de… 1 mísero dólar!!! Sim, parece ser uma realidade por aquelas bandas, sendo que o único senão é que tem mesmo de levar a casinha consigo se a quiser por essa pechincha, pois o proprietário tem outros planos para o terreno e não quer lá esse mono. Independentemente do que faça, todos os custos do processo são seus, pelo que há que fazer bem as contas. 

Movimentar fisicamente uma casa requer um trabalho hercúleo, mas naturalmente que há por há empresas com maquinaria e especialistas para o efeito, pois há que ‘arrancar’ a dita pelos alicerces, transportá-la ao longo de muitos quilómetros, sobre viaturas com muitos pares de rodas e apetrechadas para o efeito, colocando-a no seu novo poiso! Tudo sem partir o serviço multi-peças de faiança que se herdou da tetra-avó ou o espampanante candelabro de milhentos cristais que encima o hall de entrada. 

E se, no âmbito deste transporte, lhe propusessem seguir dentro de sua casa, com mais um conjunto de amigos, com música e algum álcool à mistura? Afinal, há que festejar, não? Nesta altura pergunta-se: “Onde é que eu me perdi nesta história?! Festa? Álcool?”. Sim, descanse que não será decerto o condutor da viatura a entrar na dança, pois esse tem de ir completamente sóbrio, mas já os restantes poderão festejar consigo o primeiro dia do resto da sua vida! Veja aqui a sugestão da Bacardi:


Trata-se da mais recente campanha de publicidade da marca de bebidas espirituosas, da autoria da BBDO NY, aqui mostrando que nada pode parar uma festa de arromba em sua casa, nem mesmo uma logística tão ímpar como esta. Claro que a campanha exibe uma situação levada ao extremo, desde uma bamboleante casa levada nas costas de um muito diminuto camião, numa festa de visual hipster, regada com (algum) álcool e com música a rodos, alimentada, sabe-se lá, por que bateria ou gerador, num conjunto que se apresenta extramente periclitante.

Dado que, por cá, as coisas ainda não mexem assim, há que nos limitarmos a dar as festas em casas bem assentes no chão, ou então aproveitar os milhentos espaços de diversão nocturna existentes, com o devido respeito para com a vizinhança. Para além dos custos associados, a primeira opção tem uma enormíssima vantagem: aquela sempre válida premissa do “se beber, não conduza!” 

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

Vamos ao Circo

Malabaristas, trapezistas, domadores de animais selvagens, palhaços, aplaudidos com enorme alegria por crianças rodeadas de pipocas, algodão doce, farturas e uma catrefa de bebidas com níveis variáveis de açúcar e de conservantes, dentro de uma enorme tenda com várias pistas e muita cor! Pois… esqueça isto tudo porque os circos a que vos levo hoje são ao ar livre e o mais aproximado que há de animais selvagens são dois Jaguar… de quatro rodas!

Fotos: Jaguar, Land Rover e Opel (oficiais)



As apresentações mundiais de novas propostas para o sector automóvel, nomeadamente a um nível de topo já não se coadunam com um simples mas sonoro “respeitável públicoooooooooo, senhoras e senhoreeeeeeeeeeeeeees, eis o novo XPTOOOOOOOOOO”! Não, nada disso, há que fazê-lo e em grande! 

Esta é a premissa que a britânica Jaguar – actualmente na posse de uma empresa indiana chamada Tata – segue sem se desviar um milímetro, num conjunto de operações de marketing em que, como diz o outro, “um erro e é a morte do artista”! Senão vejam-se os seguintes dois vídeos das mais recentes novidades da marca. 

No primeiro o duplo Jim Dowdall atravessa o Rio Tamisa, em Londres, conduzindo o luxuoso sedan XF sobre… uns cabos de aço, numa tentativa de alcançar a mais longa travessia em slide em altura de uma viatura sobre água:



Num segundo filme, a marca britânica desafia a gravidade e alcança um novo recorde para o nunca completo “Guinness Book of Records”! A proeza coube a outro duplo, Terry Grant, que levou o novo Jaguar F-PACE a descrever um ‘looping’ completo de 360 graus, celebrando-se, em simultâneo, o 80º aniversário da marca:



Também a Land Rover entrou na aventura dos eventos alternativos, e não foi de modas, levando o Evoque, a actual coqueluche da marca, até… um parque de skates! Se pensava que era difícil conduzir este aparentemente grande modelo em locais impensáveis, a equipa chinesa do Land Rover Experience Team prova-lhe que é tão fácil… como andar de skate! Ok, não o é para todos...



A última proposta desta edição circense do Trendy Wheels vem da Opel, com o novo Astra como estrela do que denominaram ser um “salto quântico”, pelas mãos do duplo Carl Stück! Pretendendo demonstrar que o novo carro é uma dor de cabeça para outras propostas de segmentos superiores (as também alemãs Audi, BMW e Mercedes, mais a japonesa Lexus e a britânica Jaguar) realizou-se um vídeo em que se conjuga um mundo de moda alternativa com as quatro rodas, rumo a um ambicioso objectivo:



Posto isto, deixo aquela máxima estafada que todos os programas com acrobacias mais ou menos inverosímeis têm no final, em letras pequeninas ou dito muito depressa: “as proezas acima foram realizadas em ambiente controlado e por especialistas, pelo que não deverá tentar reproduzi-las em casa”. Se o fizer é por sua conta e risco!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

A Subir aos Postes


Sabe quem é Clet Abraham? Não? Ok… eu dou uma ajudinha… é um polémico artista contemporâneo francês, oriundo da região da Bretanha, mas residente em Florença (Itália) e que, nas horas vagas, se entretém a atazanar a cabeça das autoridades de trânsito das localidades que visita. “E porquê?” – perguntam agora, em face desta explicação por demais incompleta. A resposta desvenda-se ao longo das linhas e imagens que se seguem.




Decerto olhou para a foto acima, em que notou um ‘je-ne-sais-quoi’ de estranho em cada uma das imagens que a compõem, não foi? Pois… é essa a actividade ‘paralela’ – e maior parte das vezes vista como sendo contra a lei – do tal artista que, não contente com o cinzentismo da sinalética de trânsito que povoa as estradas públicas e arruamentos das cidades, lhe decide dar uma animação extra. Situação que, por vezes, lhe traz alguns dissabores com as autoridades. 

Florença, Bolonha, Roma, Turim, Milão, Lucca, Palermo e Perugia, mas também Londres, Valença, Rennes, Tóquio, Osaka e Paris, entre muitas outras cidades por onde já passou, viram vários dos sinais de trânsito alterados por Abraham, ora arrancando gargalhadas dos transeuntes, ora obtendo visuais mais circunspectos da polícia e demais entidades que garantem a manutenção de ordem pública. Veja-se este vídeo:



Não é que esta faceta de ‘street artist’ danifique os ditos sinais, pois como se pode ver, ele apenas se limita a colocar autocolantes, se bem que alterando parte da sua visibilidade, bem como da sua essência. Acrescenta-lhes uma expressão gráfica e visual identificadora de diferentes realidades do nosso dia-a-dia, da natureza às profissões, de simples tiradas cómicas a outras de cariz mais provocador, como as que parecem ofender a igreja pelo recurso a imagens de Cristo, tudo servindo os intentos do polivalente artista. 

Sem se importar com o que as pessoas pensam dele, Abraham pretende, de acordo com uma entrevista dada no início do ano ao blog italiano Tiana’s Travel, mas expor a sua arte e saber como a mesma pode afectar o comum dos mortais, quem a vê. Diz “não pretender desrespeitar o público, mas sim falar com ele”. Remando contra o que a sociedade institui como regra absoluta, o artista quer passar a mensagem de que “o total respeito pelas regras pode ser um obstáculo para a própria sociedade, dado o, por vezes, controlo totalitário da mesma, acabando mesmo por prejudicá-la”.

Um discurso bem mais maduro do que o feito em 2010, logo nos primórdios destas lides, ao Tuscany Arts, então afirmando que “se trata de uma atitude saudável para a liberdade de expressão pela quebra das regras, afinal, a essência de um artista”, considerando que “a omnipresença de sinais de trânsito, para além de ser um sinal de ‘anti-responsabilidade’ cultural, pode roçar o absurdo”. Achava a mensagem muito pobre, por vezes sentindo-se tratado como um idiota, vendo-se chamado a intervir, “para informar o público sobre o absurdo da situação, propondo uma alternativa construtiva e respeitosa, (…) mantendo a sua utilidade, mas com o adicional de interesse intelectual, espiritual ou simplesmente divertido. Objetivo final? Que o tráfego continue a fluir mas sem que nos sintamos diminuídos!”

Fotos: Clet Abraham e CLET (Facebook)



Note-se que com este texto não pretendo acordar eventuais veias artísticas adormecida a nenhum dos meus leitores mais afoitos, mas apenas trazer uma tirada mais leve do que se poderá deparar, um dia, caso Clet Abraham se decida a visitar terras lusas. Afinal, no nosso país os actos de vandalismo público – em que esta manifestação de estados de alma se insere – implicam, de acordo com a Lei n.º 61/2013 de 23 de Agosto, penas pecuniárias dos 100 aos 2.500 euros para uma série de alterações das características originais de determinadas infra-estruturas, incluindo as rodoviárias (mobiliário e equipamento urbanos), sempre que as alterações não sejam devidamente autorizadas e licenciadas, mas sendo reversível por via da simples remoção, limpeza ou pintura. 

Por isso, antes de desatar a rabiscar paredes ou pintar sinais de trânsito, pense um bocadinho na sua carteira! 

Nota adicional: tentei obter algumas declarações para trazer um conteúdo mais dedicado para os leitores do Trendy Wheels, bem como saber se o artista alguma vez considerara visitar alguma cidade lusa. Infelizmente não tive resposta ao meu pedido, pelo que me socorri dos conteúdos dos dois blogs acima referidos. Não é o ideal, concordo, mas ainda assim decidi avançar com este tema, de algum modo ímpar. 

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve! 

José Pinheiro 


Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

Muito Para Além do Automóvel


Uma guitarra Ford. Uma bicicleta Mazda. Um conjunto de candeeiros Peugeot. Três exemplos de que a indústria automóvel está cada vez menos fechada em si mesmo, assistindo-se, aliás, a uma crescente presença da mesma no maior certame de… mobiliário e iluminação, que há 54 anos se realiza em Milão (Itália), o Salone del Mobile.

Fotos: Ford, Mazda, Peugeot (oficiais) 



O talento dos designers dos veículos sobre rodas não se esgota, assim, em linhas de carroçaria envolventes, faróis funcionais, motores potentes, tecnologias inovadoras, alargando-se a (quase) tudo o que faz parte do nosso dia-a-dia, assim criando uma maior ligação e fidelização às marcas. Se há quem goste de ter todos os electrodomésticos com um mesmo ‘logo’, porque não haver quem queira ter um veleiro na marina, um moinho de pimenta na cozinha ou refastelar-se depois de um dia de trabalho num sofá, numa ligação aos automóveis que conduzem nas suas rotinas diárias? Sim, sim… primeiro estranha-se, mas depois entranha-se! 

Exemplos como os que apresento a seguir (por ordem alfabética) de três marcas que me enviaram informação das suas actividades na mostra italiana, curiosamente numa visão planetária, em conceitos de design com raízes diferentes, da América, do Japão e da Europa. 

FORD: criatividade e lazer 

A Ford apresentou em Mião um diverso leque de conteúdos, recaindo o maior destaque em três peças relacionadas com actividades de lazer: uma guitarra, uma mesa de matraquilhos e um barco à vela! Peças de colecção inspiradas na mesma filosofia que norteou o seu superdesportivo Ford GT – clareza de intenções, inovação e ligação – numa variedade de elementos fora da esfera automóvel.

Fotos: Ford (oficiais)
“O público raramente vê mais de 10 por cento do trabalho que se faz num estúdio de design, havendo toda uma liberdade de criação permitida às diferentes equipas, podendo ir além das suas funções tradicionais e, assim, dar corpo a novas ideias e conceitos, que irão inspirar os futuros projectos da marca”, refere um responsável de design da marca americana. 

Em complemento, a Ford expôs outras peças de mobiliário mais ‘tradicionais’, entre sistemas de iluminação e de WI-FI e ainda duas interpretações para áreas do tipo lounge. Objectos de design semelhante, para assim formar todo um portfólio homogéneo e identificável. 

MAZDA: Toda uma envolvência RIN e EN 

Aplaudida mundialmente pelo design “KODO - A Alma do Movimento” presente nos seus actuais modelos, a Mazda transpôs para outras criações essa excelência de linhas emocionais repletas de vida, que espelham os animais na natureza, recorrendo às suas raízes distintamente japonesas. Formas simples, com uma dignidade e sensualidade limitadas, falam com os sentidos, no que define como sendo os conceitos RIN (dignidade contida em si mesma) e EN (sensualidade sedutora).

Fotos: Mazda (oficiais) 


Características presentes na forma única do Sofá by KODO Concept, peça que transmite toda uma tensão, eliminando todos os elementos supérfluos, sem sacrifício do conforto essencial, com uma mesa de apoio com elementos de ligação específicos. Do mesmo modo, a Bicicleta by KODO Concept, uma ‘duas rodas’ requintada, cuja simplicidade exprime o dinamismo puro, transmite o sprint final de um corredor com a linha de chegada à vista. Demonstrações do perfeito equilíbrio entre a sensibilidade do Mazda Design e o artesanato tradicional europeu. 

Expostas estiveram, também, duas outras peças de inspiração KODO, ambas obras de artesãos japoneses: o balde de gelo em cobre KODOKI, da autoria do estúdio Gyokusendo, e a caixa lacada SHIRAITO, feita a partir de cascas de ovo esmagadas, com a assinatura Kinjo-Ikkokusai, a sétima geração de uma família de artesãos de Hiroshima. 

PEUGEOT: a ‘roulotte gourmet’ do futuro 

Num misto de engenho e de design, surgiu em Milão uma inovadora roulotte de comida de rua – o Foodtruck Peugeot – numa visão muito futurista e ‘gourmet’ dos exemplares do meu texto da semana passada E A BELA DA BIFANA VIROU ‘GOURMET’. À partida parece uma ‘comum’ carrinha com reboque mas, chegada ao seu destino, esta expande-se e transforma-se em “O Bistrot du Lion”.

Fotos Peugeot (oficiais)

Trata-se de um restaurante, em anfiteatro, com espaços de preparação de alimentos, de restauração e bar, apto a receber 30 pessoas na envolvência musical da plataforma digital PEUGEOT MUSIC. Serve cozinha gastronómica, de fusão ou molecular, cuja confecção pode ser presenciada pelos comensais através de um ecrã FOCAL de 46 polegadas, que retransmite até o crepitar dos alimentos nas placas eléctricas. Um sistema de extracção zela pela qualidade do ar, o piso e armário refrigerados garantem a frescura dos alimentos e bebidas e uma máquina profissional da ROCKET ESPRESSO propõe expressos cativantes.

Claro que ali não pode faltar o duplo moinho de sal e pimenta Peugeot MILAN, numa nova homenagem à aliança entre as artes da cozinha e do design. O que muitos não sabem é que a marca francesa desenvolve, fabrica e comercializa estes moinhos desde 1874, mais de 60 anos depois de começar a fazer moinhos de grão familiares e, mais tarde, de produzir moinhos de café! Pois é, só no final desse século XIX surgiria o seu primeiro automóvel, o Type 1.

Fotos Peugeot (oficiais)


Voltando a Milão, a criatividade Peugeot prolongou-se pela colecção de candeeiros ONYX, peças únicas, feitas por medida, numa união de fortes contrastes, conteúdos tecnológicos a matérias-primas em bruto: um lustre de 3 metros de altura de LED reguláveis, prolongando-se do tecto quase até quase tocar o chão, feito numa rara madeira Banyan das Filipinas, com um grafismo tecnológico e impressão 3D; os candeeiros NewspaperWood, feitos a partir de papel de revistas recicladas, cobre e porcelana branca; e ainda as suspensões com impressão 3D.

Para terminar, recordo o meu texto de há um ano sobre este mesmo tema, DA GARAGEM PARA A SUA SALA, onde apresentei as propostas de 2014 e de anos anteriores neste domínio. Como se confirma, o mundo automóvel evolui para uma realidade impensável há uma década: ter-se um automóvel à porta, um veleiro na marina, relaxar entre amigos num espaço ‘gourmet’ ao som de boa música, passear de bicicleta, ler um bom livro num sofá confortável e com um sistema de iluminação a condizer, tudo sob uma mesma assinatura! Um conceito de próximo futuro, muito para além do automóvel.

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

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E a Bela da Bifana Virou ‘Gourmet’


Decorreu de 4 a 12 de Abril nos jardins do Casino Estoril a primeira edição nacional do Street Food European Festival, perfilando-se nos espaços verdes fronteiros àquela famosa sala de jogo algumas dezenas de veículos sobre rodas da denominada “comida de rua”, numa estreia vista pela organização como muito bem sucedida entre nós.


Da minha habitual temática havia de tudo um pouco, desde as inesquecíveis Vespa de três rodas da Piaggio, às também eternas transformações das VW Kombi (vulgo ‘Pão de Forma’) e até uma Citroën Type-H, para além de outras criações específicas para os mais diversos expositores, pequenos triciclos ou furgões especialmente transformados para esta actividade. 

Quanto a conteúdos, se até há bem pouco tempo essas roulotes e/ou quiosques de rua ou de feira pouco mais serviam do que os trio bifanas/cachorros/hambúrgueres e algodão doce/churros/farturas, os gostos e a clientela evoluiu de tal modo que o conceito se tornou substancialmente mais abrangente, até com toques de requinte ‘gourmet’. Do tradicional a conteúdos bem mais elaborados, ali havia uma lista infindável de petiscos, entre pizzas, focaccias e empanadas, piadinas, panquecas, waffles, bagles e pretzels, bolas de praia e doces diversos, sushi e marisco, leitão, carne picada, bifanas e salsichas, gelados e iogurtes, sumos, chás, cafés, vinhos, ‘caipis’ e apenas uma cerveja – a Estrella Damm patrocinava o evento – havendo ainda sabores alternativos, com um forte conteúdo natural ou mesmo vegan. Ou seja, dificilmente ali não se encontrava algo de que se gostasse!


Agora o – para mim – maior “senão”: alguns dos preços praticados, sendo o verdadeiro atentado à carteira os 2 euros pedidos em alguns sítios por uma água de 25 ou mesmo 30 cl!!! Pessoal… é água, não é uma qualquer bebida branca!!! Haja, de futuro, algum bom senso neste domínio, pois quem anda no mundo da organização de eventos também sabe que, na grande maioria das vezes, as águas são oferecidas pelos distribuidores como bónus na compra de determinados volumes das restantes bebidas do mesmo ou, não o sendo na totalidade, são-lhes vendidas a meros 10 ou 20 cêntimos por unidade! Ou seja, é só fazer as contas… 

Quanto aos ‘streets’ – fichas que evitavam que os operadores dos vários espaços tivessem que lidar com dinheiro e alimentos – é salutar a criação de uma moeda própria do evento, semelhante, por exemplo, à de determinadas feiras medievais. Muitos apontaram-nas com um sinal “menos”, face às enormes filas para a sua troca, tendo até esgotado no primeiro dia do evento. Uma falha que a organização lamentou de imediato, acabando por autorizar euros nesse dia e abrir mais postos de troca nos seguintes. Depois, toca de ir para novas filas de cada espaço individual, que, por vezes, chegavam a pontos de esgotarem os stocks de determinados produtos! 

Práticas que urge rever em próximas edições e que levaram a que alguns mais inconformados, muitos com crianças pequenas, inundassem de críticas as redes sociais, uma inevitabilidade em tempo real, no presente mundo cada vez mais ‘online’! De qualquer modo, é de aplaudir a resposta muito imediata de quem geria a página de Facebook, não deixando ninguém sem uma resposta adequada ou um pedido de desculpas!




Nos dias seguintes a coisa foi bem mais pacífica, permitindo-se que os visitantes, incluindo alguns repetentes, refastelados nas mantas trazidas de casa ou nos relvados, provassem novas iguarias em veículos oriundos da Alemanha (1), Espanha (1), Inglaterra (2) e Itália (1), que dividiram o palco com os 41 especialistas do palato portugueses. Não fosse o diabo tecê-las em face de tão elevadas concentrações de colesterol em alguns espaços, até se podiam fazer rastreios cardiovasculares gratuitos com a equipa da Paramédicos de Catástrofe Internacional. 

Pena o tempo invernal que durante quase toda a semana substituiu o solinho bom do primeiro fim-de-semana, ensopando o colorido com que se completou o verde dos jardins. De qualquer modo, a enorme adesão é bem elucidativa da aceitação do conceito: se no final do primeiro dia a organização – composta por 17 pessoas – apontou a mais de 20.000 os visitantes, no final dos nove dias do evento por ali passaram cerca de 80.000 comensais!




No final, o Trendy Mind falou com José Borralho, Presidente da APTECE (Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Economia), entidade organizadora do evento, que nos fez o seguinte resumo final: “O balanço é bastante positivo, passando cerca de 80.000 pessoas pelo recinto, cumprindo o objectivo de promover o ‘street food’ e posicioná-lo como uma actividade de futuro, com oferta de qualidade e geradora de dinâmica e entretenimento nas cidades. Também quisemos sensibilizar as autarquias para abrirem portas ao ‘street food’, o que foi igualmente conseguido, sendo várias as entidades que nos visitaram, manifestando a sua intenção em vir a desenvolver eventos iguais e estudarem introduções às actuais regras para proporcionarem a entrada do ‘street food’ nos seus concelhos.” 

Para terminar, acrescento que a iniciativa integrou-se na Cimeira Mundial do Turismo Gastronómico que decorreu no Centro de Congressos do Estoril (um pouco mais acima), onde se apresentaram as novas tendências mundiais no Turismo de Culinária. Ali os diferentes profissionais de gastronomia partilharam os seus conhecimentos, como impulso ao turismo, sector económico de enorme relevância, nomeadamente no nosso Portugal ensolarado e de múltiplas paisagens. Até pró ano! 

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve! 

José Pinheiro 

Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

Conquistador de Alturas


Há um automóvel que não se faz rogado com as pretensas dificuldades de ascensão a um 112º andar de um edifício e, dali, apreciar a deslumbrante vista sobre as cidades, como anfitrião de originais eventos! Sim, leu bem, subir aos 400 metros de altura, algures a meio do Burj Khalifa, no Dubai (Emiratos Árabes Unidos), actualmente o edifício mais alto do Mundo. Se tal não chegasse para o provar, outro exemplo ocorreu em Abril último, quando esse mesmo modelo subiu ao “Observation Deck” do Empire State Building (EUA), sito no 86º andar, para comemorar os 50 anos de feito idêntico, na infra-estrutura que, em 1964, ostentava o título do mais alto de todos.




Roçar as nuvens, ir cada mais alto, atingir o (quase) impossível! É isso que o Mustang – o icónico modelo que a Ford se prepara para lançar à escala mundial em 2015 – tem conseguido ao longo dos tempos, num ano em que ele também completa meio século sobre o lançamento do ‘pony car’ original em terras do Tio Sam. 

Mas… e como é que se levam automóveis a lugares supostamente impensáveis, nas mais altas estruturas do planeta, feitas pelo Homem? Não há guindastes que lá cheguem e o uso de helicópteros foi algo, também, colocado de lado pelas equipas de engenharia, responsáveis pelos projectos. O processo que permitiu construí-lo nas alturas passou por imensas medições e múltiplos ensaios e preparativos, antes dos grandes dias.


No caso do Burj Khalifa (ou “Torre do Khalifa”, como também é conhecida) foram seis os engenheiros que embarcaram num voo da Emirates Airlines rumo ao Dubai, levando nas suas ‘malas’ um Mustang cuidadosamente desmontado. Uma vez chegada, a carga rumou ao edifício e foi descarregada no piso térreo, depois separada em seis secções que foram metidas nos elevadores e levadas até ao 112º andar. Dava-se, assim, início ao elaborado ‘kit’ de múltiplas peças e que demorou nada menos do que 12 horas a terminar. Pode vê-lo aqui, em modo ‘timelapse’:



Algo em quase tudo semelhante ao que já acontecera em 1965, ano em que um outro Mustang descapotável concentrou os olhares do planeta ao mostrar-se, pela primeira vez, no topo daquele que era, então, o maior edifício em altura construído pelo Homem. Uma épica jornada que os arquivos da Ford apenas ilustram publicamente através de um conjunto de fotos, como as que a seguir se apresentam:

Fotos: Ford Motor Company
Para festejar os 50 anos desse feito, a cena repetiu-se em Abril deste ano que está a queimar os últimos cartuxos, construindo-se este ‘kit’ Mustang em pouco mais de seis horas na mesma varanda daquele 86º andar. Um processo aqui apresentado numa outra perspectiva:



A título de curiosidade – decerto que já se habituaram a que haja quase sempre um bocadinho de cultura extra no Trendy Wheels – acrescento que o Empire State Building foi inaugurado em 1931, tornando-se no maior edifício do mundo, no alto dos seus 381 metros. Manteve esse estatuto durante cerca de 40 anos, sendo depois ultrapassado por estruturas como o World Trade Center e a Torre Sears (EUA), as Torres Petronas (Malásia) ou o Taipei 101 (Taiwan), entre outras. Em 2010, os 828 metros de altura do Burj Khalifa Bin Zayid permitiram-lhe o acesso a esse título, no que poderá ser, de novo, uma questão de tempo, pois em Changsha (China) estará, entre muitos atropelos do projecto, a nascer o Sky City One, uma imensa estrutura de 838 metros que, uma vez completa, baterá em 10 metros a Torre do Kalifa!

Fotos: Empire State Building, Burj Khalifa e Sky City Project
Aguardemos, pois, por novos desenvolvimentos para saber se, uma vez mais, o Mustang quererá subir até mais perto das estrelas, conquistando novo patamar no topo do mundo das quatro rodas! 

Continuação de Boas Festas, com os habituais cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve! 

José Pinheiro 


Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

UM BAILADO ÉPICO


Hoje tenho uma pergunta para lhe fazer. Acha que sabe conduzir? Acha mesmo? Depois de ver o vídeo abaixo duvido que se mantenha assim com taaaaaaaaaanta certeza, se bem que decerto a sua condução continue a ser mais do que suficiente para enfrentar o seu dia-a-dia, por mais complicado que o mesmo se possa apresentar em termos de tráfego.

Fotos: Oficiais BMW



Vem isto a propósito de uma acção que a BMW levou a cabo para promoção de um dos seus últimos modelos, o M235i. Preparando toda uma ‘coreografia’ com cinco unidades do dito cujo, todas elas num reluzente vermelho e conduzidas por pilotos profissionais de ‘drift driving’, criou-se um fantástico ‘bailado’, repleto de cenas por vezes arrepiantes para os menos afoitos! 

Trata-se de um misto entre um ‘flash mob’, os tais encontros hoje tão em voga, em que um grupo de pessoas surpreende os presentes num determinado local com uma coreografia ou acção previamente combinada, e um ‘drift’, em que longas escorregadelas e piões a alta velocidade são alguns os ingredientes-chave. O palco deste ‘drift mob’ foi uma rotunda da Cidade do Cabo, na África do Sul.



Claro que uma acção deste tipo não é tão espontânea como um ‘flash mob’ tradicional, contendo características que obrigaram a toda uma logística e sessões preparatórias, de modo a que tudo corresse de acordo com o previsto, deixando boquiabertos todos os que passavam nas imediações. Não se pretendia nem chapa amolgada – afinal, este ‘menino’ custa (por cá) a módica quantia de 60.000 euros – mas, principalmente, que ninguém se magoasse, pois apesar da enorme experiência dos protagonistas, todos eles ‘prós’ na ‘coisa’, algumas manobras foram feitas no limite! Um resumo deste processo está patente neste segundo vídeo de hoje.



Posto isto, resta-me ir a banhos, cumprindo sempre com as regras de trânsito, as velocidades máximas e as novas regras nas entradas e saídas das rotundas (no exemplo acima estes ‘meninos’ não ligaram muito a esse pormenor) e prometer um regresso na próxima semana com nova temática.

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

UM ‘HOTSPOT’ SINGULAR


A estância de St. Moritz, na Suíça, tem um novo ‘hotspot’. Não me refiro especificamente à ligação Wi-Fi que também faz parte do projecto, mas pela construção de uma singular infra-estrutura de apoio aos praticantes da modalidade, numa nova interpretação do conceito de uma loja de ski tradicional. Construído em Corviglia, no vale de Engadin, a uma altitude de 2.486 metros, apresentou-se ao mundo como o “Audi quattro Bar”, numa inauguração com pompa e circunstância, realizada em meados de Dezembro último.




Conhecida pela sua associação aos desportos de inverno, patrocinando diversos campeonatos, e pela construção de automóveis desportivos de tracção às quatro rodas que, em tempos idos, lhes valeram títulos ao mais alto nível dos ralis internacionais, a Audi decidiu levar a sua imagem ‘branca’ ainda mais longe, com a construção desta infra-estrutura de características inéditas. 

Trata-se de um edifício de excelência, idealizado pela empresa alemã SchmidHuber e pelo ‘atelier’ suíço Steiner Sarnen, com a colaboração dos designers Tim John e Martin Schmitz em alguns dos detalhes interiores. Ocupa uma área de cerca de 100 m2 e tem uma capacidade de primeira leva para 90 pessoas, num espaço cujo ‘menu’ é fornecido pelo ‘chef’ Reto Mathis, premiado com estrelas Michelin. 

Madeira e vidro foram os principais materiais utilizados no “Audi quattro Bar”, para que se integrasse na perfeição na paisagem de montanha, dando uma ampla visão do impressionante panorama alpino e garantindo aos visitantes estadias inesquecíveis. Destaque, também, para um distinto logótipo “quattro” com 10 metros de comprimento, visível de fora e lá dentro, bem como aos elementos tridimensionais que, literalmente, flutuam na parede de granito, contando a história do modelo Audi quattro.




Um ícone cuja nova geração poderá, eventualmente, a surgir a breve prazo, caso seja dado o OK à produção do modelo final, feito a partir do exercício de estilo Audi quatro Concept recentemente apresentado pela marca alemã dos quatro anéis. 

Abaixo poderá ver um pequeno vídeo com diversos pormenores que vão desde a construção do espaço à sua utilização.



Curioso é, também, este outro vídeo de pouco mais de um minuto, com cerca de 90 fotos tiradas a partir de um ponto fixo, em que se vê o evoluir das obras e da estrutura.



Assim sendo, se estiver a planear as suas férias na neve e a sua carteira ainda suportar viagens deste tipo, dê um salto a St. Moritz e tome um copo por mim no “Audi quatro Bar”. Mas vá bem agasalhado pois parece que está assim um pouco pró ‘briasco’…

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro


Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

QUALQUER COR DESDE QUE SEJA… BRANCO


Depois de uma loooooooooooooonga era em que os cinzentos, com grande incidência nos metalizados, reuniram as preferências da larga maioria dos consumidores de automóveis novos, que se seguiu a outra, nos primórdios do mesmo, em que o preto reinou, eis-nos chegados a uma fase em que, magia das magias, o “branco tornou-se no novo preto”.




Adeus, portanto, aos comentários do tipo “Branco? Mas tens um carro ou um frigorífico com rodas?” ou mesmo “Ui… já vi que foste comprar uma ambulância!” pois até mesmo os construtores de automóveis de luxo se renderam à moda alva. 

A compra de um automóvel novo é, para a grande maioria, uma das maiores despesas do orçamento familiar, a seguir à da habitação. Por essa razão, os que ainda o podem fazer, para além das continhas aos tostões (ou cêntimos, para os mais puristas da ‘coisa’), olham com muita atenção não só para os conteúdos do investimento que os irá colocar sobre rodas no futuro próximo, como, naturalmente, para a parte estética, capítulo onde se inclui a cor. 

Há automóveis de design fantástico, outros com linhas menos inspiradas, mas a decisão final deriva sempre do tão abrangente/divergente conceito de “beleza”, pois o que o é para uns pode não sê-lo para outros. Já a questão da cor parece ser algo mais consensual, pois há que seguir as tendências. É que 77% dos compradores de automóveis novos consideram-na um ponto obrigatório e cerca de um terço não abdica da cor que quer!




Quando Henry Ford lançou o Ford T em 1909, expressou-se com a famosa frase de que “qualquer cliente pode ter um automóvel pintado em qualquer cor, desde que seja em preto”. Pois… vai que na época foi (quase) tudo corrido a isso mesmo! Mas, ao contrário do que se pense, não foi obra do acaso, pois por um lado a tinta preta era mais barata e mais duradoura, mais fácil de aplicar, secava mais rapidamente, permitindo, assim, construir mais automóveis em menos tempo. Uma mera questão de olho para o negócio e para os números, algo em que este visionário era exímio! 

Durante várias décadas aquela manteve-se como “a cor”, juntando-se-lhe gradualmente outras igualmente escuras como os azuis ou os cinzentos. Os tons mais vibrantes, de maior impacto visual (vermelho, amarelo ou azuis ‘racing’) ficavam para os automóveis desportivos, que ajudaram a colorir o parque automóvel circulante das várias décadas. 

Depois veio a moda “cinzentona”, uma das ‘loucuras’ nacionais, em que quase tudo o que circulava sobre rodas tinha que ser cinzento, de preferência metalizado! Ainda hoje é bastante irritante chegar a um estacionamento e verificar que grande parte dos automóveis que ladeiam o nosso tem um dos milhentos tons de cinza existentes à face da Terra, maioritariamente metalizados.




Uma quase-regra que muitos profissionais do meio nos impingiam, com o estafado discurso de “um dia, quando quiser vendê-lo, vai ser muito difícil se escolher cores mais garridas…”! Pois é… ter modelos coloridos (no verdadeiro sentido da palavra) nos ‘stands’ era algo impensável! Muitos deles preferiam garantir, desde logo, o negócio, ‘despachando’ os cinzas/pretos/azuis escuros do ‘stock’. E, para não terem de esperar, os clientes iam na onda, saindo ao volante do seu popó novo, quais surfistas prateados! 

Mas, eis que senão quando, evoluímos e passámos de ‘cinzentões’ a ‘branquelas’. Num país banhado pelo sol, de repente voltámo-nos todos para os tais e até ali “frigoríficos com rodas”. Bem… todos não porque ainda há quem continue a apostar nas ‘velhas’ cores tristes e sóbrias e poucos – muito poucos, mas já mais do que há uns anos – a comprarem automóveis em tons vivos, entre vermelhos, amarelos, azuis e verdes, ou suas combinações. 

Uma tendência que se estende a todo o planeta, gradualmente, a ‘empalidecer’ a olhos vistos. Quer saber a actual moda das cores automóveis? Então não perca a 2ª parte deste artigo, na próxima edição do Trendy Wheels! 

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve! 

José Pinheiro 


Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

OS ANIMAIS SÃO AMIGOS DAS RODAS


Galinhas, hamsters, cães, insectos e outros companheiros das nossas casas e quintas, pacatos habitantes dos jardins zoológicos ou exemplares em estado selvagem, todos eles servem para arrancar uns sorrisos e, no limite e como objectivo, contribuir para a conquista de novos clientes. Sublinhando aquela máxima de que “os animais são nossos amigos”, afinal também eles são dos melhores amigos dos automóveis.


Se não todos, pelo menos alguns, como os eleitos por diversos construtores automóveis para promover as suas mais recentes tecnologias, os seus novos modelos ou outras acções de charme em que estejam envolvidos e em que necessitem dos nossos amigos, peludos, de penas, escamas e demais carapaças e conchas, de zero a várias patas! 

Uma das acções que mais recentemente veio a público pertence à Mercedes-Benz, marca que, para ilustrar o modo como opera a sua nova tecnologia “Intelligent Drive Magic Body Control”, recorreu às potencialidades de um grupo de pacatas… galinhas! Os resultados são brilhantes e extremamente esclarecedores sobre o modo de funcionamento da dita tecnologia. Senão, veja este vídeo:



Numa espécie de David e Golias, a Volvo Trucks recorreu a um pequenino hamster para demonstrar junto dos seus potenciais clientes de veículos pesados, o quão leve é a direcção de um dos seus novos camiões, o Volvo FMX, levando o pequeno roedor a cumprir um traiçoeiro percurso dentro de uma pedreira conduzindo um ‘monstro’ de nada menos do que… 15 toneladas. Surpreso/a? Veja aqui:



Mas também no ar, pois até a operadora aérea Frontier Airlines, fazendo lembrar a fábula “No Tempo em que os Animais Falavam” de Jean de La Fontaine, recorreu a um grupo de bicharocos que estabelecem um curioso diálogo para promover, na asa vertical traseira dos aviões da companhia, um novo aeroporto para onde passaram a voar. Conheça todos os detalhes aqui:



Mas giro giro é ver o Porter a conduzir o novo Mini. Ele, o Monti e a Ginny são três exemplares caninos da SPCA (Sociedade para a Prevenção de Crueldade para os Animais) da Nova Zelândia que, seguindo as instruções dos seus treinadores, executam uma série de acções – por o carro a trabalhar, virar volante e travagem – de um dos actuais ‘best-sellers’ do mercado num pequeno circuito, naturalmente em ambiente controlado. Veja como, apesar de um pouco ‘trapalhão’ o Porter se porta neste vídeo:



Finalmente, para não me alongar em demasiado, apresento apenas mais um exemplo, no caso, uma das propostas da VW para a promoção do também eterno VW Carocha (também conhecido como ‘bug’ ou ‘beetle’). Para o efeito a VW Suécia construiu uma cidade à escala, deu-lhe o ambiente das corridas de automóveis e pôs um grupo de oito daqueles pequenos insectos – deu-lhes nomes e tudo! – a competir pela vitória nas ruas da mesma. A prova é devidamente acompanhada por comentários de locutores especializados no tema e grafismo, como se de uma transmissão em directo na TV se tratasse e até deu direito a apostas ‘online’, que podiam ser feitas num ‘site’ dedicado! Pode ver tudo aqui:



E foi este o meu contributo desta semana, numa vertente mais ‘light’ para lhe arrancar alguns sorrisos, agora que a temporada de Outono/Inverno parece ter chegado para ficar, preparando-se para nos acompanhar ao longo dos próximos meses. Espero tê-lo conseguido!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro



Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

CRESCEI E MULTIPLICAI-VOS





Estou certo de que a famosa expressão “crescei e multiplicai-vos…” não serviu de inspiração na indústria automóvel, mas, se eventualmente o tivesse sido, a marca que melhor estaria a aplicar esta citação do livro Génesis (o primeiro da Bíblia Cristã e também da ‘equivalente’ Hebraica) seria a Mini. Isto porque não só fez crescer – e muito!!! – o Mini original, como transformou o outrora (quase) singular modelo britânico numa gama que conta já com oito variantes na actual geração do Século XXI. 

O sucesso do pequeno Mini de 1959 expressa-se nos quase 5,4 milhões de unidades vendidas até 2000, ano em que se produziu a última da ‘velha guarda’. Desenhado pelo grego Alec Issigonis, mais tarde “Sir” por inerência do grau de Cavaleiro com que foi ordenado no Reino Unido, o pequeno citadino fez as delícias dos consumidores da altura, evoluindo apenas o essencial para se manter actual, numa mão cheia de versões de carroçaria. Independentemente do ‘traje’, é hoje uma verdadeira peça de colecção, amado pelos que têm um exemplar na garagem, havendo – felizmente – ainda tantos em circulação!

 Entretanto absorvida pelo Grupo BMW, a marca Mini renasceu maior, em tamanho e abrangência, para ir à luta com armas iguais com a reinterpretação de outros ícones surgidos no final do Século XX. Primeiro surgiu o Mini ‘convencional’ com que se arrebatam corações, vindo depois o Cabrio, a carrinha Clubman, e, como resultado das auscultações ao mercado da marca (agora com mistura de sangue alemão), as variantes inéditas Countryman, Coupé, Roadster e Paceman, a última versão lançada até à data. Se a tudo isto somarmos a Clubvan (um veículo comercial com linhas e conteúdos mais elitistas), as versões All4 (de tracção integral e capacidades fora do vulgar para um Mini) e os hiper-vitaminados John Cooper Works (com muitos cavalos e um ‘look’ assumidamente ‘racing’), temos uma gama com bem mais de meia centena de propostas!

 Mas foi a VW quem, em 1997, abriu esta guerra saudosista, ao trazer para o final do Século XX outro portento da indústria automóvel, o VW Beetle. Mas, ao contrário do Mini, o carinhoso ‘Bug’ (a nível internacional) ou ‘Carocha’ (entre nós) não gerou muitos outros derivativos de carroçaria, mantendo-se quase fiel ao design do modelo original, criado em 1938 na Alemanha, no início da 2ª Guerra Mundial, e produzido até 2003, ultrapassando as 21 milhões de unidades produzidas. À excepção dos conteúdos tecnológicos decorrentes da evolução automóvel, o ‘Carocha’ apenas teria uma variante descapotável, para além da berlina. 

 O mesmo acontece no modelo actualmente em comercialização, que já vai na sua 2ª geração, apenas composto pelo modelo de base e pelo agora denominado Beetle Cabrio, propostas que fazem as delícias de um público maioritariamente feminino.

Um mesmo tipo de público que, mais a sul e a partir de 2007, se viu conquistado de alma e coração pelas linhas italianas de outro automóvel do século passado, o Fiat 500. Mais de três décadas depois do último 500 original (este produzido de 1957 e 1975), o novo ‘Cinquecento’ é hoje outro sucesso entre os amantes da diferenciação, dos compradores modelos icónicos, também crescendo e multiplicando-se, não tanto como o Mini é certo, mas substancialmente mais do que o VW. 

 Neste domínio, o construtor italiano recriou a versão cabriolet – o 500C – depois os ‘apimentados’ e desportivos Abarth, com motores cheios de alma, e, mais recentemente, uma variante mais insuflada, denominada 500L, com características muito específicas, mais viradas para a vertente familiar. Adicionalmente, o modelo já deu também origem a inúmeras recriações e séries especiais, como a ‘Ferrari Tribute’, ou pela ligação à moda italiana, através de um ‘Gucci’ de coleccionador, ou mesmo uma dedicada à… Barbie!
  

 Prova de que este saudosismo para com ícones de outras eras está a ser um sucesso à escala mundial, apesar da actual crise que assola a Europa e da qual os restantes continentes ainda recuperam, outros construtores estão a pensar dar um segundo fôlego aos seus modelos de sucesso de outrora: a Citroën está a estudar um modo de fazer renascer o saudoso 2CV, a Honda estará a analisar o melhor modo de recuperar a sigla 600 e a Renault poderá vir a recriar o R5! 


Trata-se de um posicionamento diametralmente oposto à geração original dos “automóveis para o povo”, que nesta segunda vida se tornam em “automóveis só para alguns”, com um claro piscar de olhos às carteiras dos que primam pela diferenciação e que ainda podem adquirir estes conteúdos.
  
Fotos: Oficiais e Outras



Fica prometido que voltarei a pegar no tema caso estes últimos apareçam pelas nossas estradas! Até lá, apreciem – e comprem, caso o possam fazer… – estas segundas vidas que foram dadas a alguns dos automóveis mais emblemáticos do Mundo. Quem sabe se não se tornarão em peças de colecção à entrada do Século XXII!

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve!

José Pinheiro

Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.