E a Bela da Bifana Virou ‘Gourmet’


Decorreu de 4 a 12 de Abril nos jardins do Casino Estoril a primeira edição nacional do Street Food European Festival, perfilando-se nos espaços verdes fronteiros àquela famosa sala de jogo algumas dezenas de veículos sobre rodas da denominada “comida de rua”, numa estreia vista pela organização como muito bem sucedida entre nós.


Da minha habitual temática havia de tudo um pouco, desde as inesquecíveis Vespa de três rodas da Piaggio, às também eternas transformações das VW Kombi (vulgo ‘Pão de Forma’) e até uma Citroën Type-H, para além de outras criações específicas para os mais diversos expositores, pequenos triciclos ou furgões especialmente transformados para esta actividade. 

Quanto a conteúdos, se até há bem pouco tempo essas roulotes e/ou quiosques de rua ou de feira pouco mais serviam do que os trio bifanas/cachorros/hambúrgueres e algodão doce/churros/farturas, os gostos e a clientela evoluiu de tal modo que o conceito se tornou substancialmente mais abrangente, até com toques de requinte ‘gourmet’. Do tradicional a conteúdos bem mais elaborados, ali havia uma lista infindável de petiscos, entre pizzas, focaccias e empanadas, piadinas, panquecas, waffles, bagles e pretzels, bolas de praia e doces diversos, sushi e marisco, leitão, carne picada, bifanas e salsichas, gelados e iogurtes, sumos, chás, cafés, vinhos, ‘caipis’ e apenas uma cerveja – a Estrella Damm patrocinava o evento – havendo ainda sabores alternativos, com um forte conteúdo natural ou mesmo vegan. Ou seja, dificilmente ali não se encontrava algo de que se gostasse!


Agora o – para mim – maior “senão”: alguns dos preços praticados, sendo o verdadeiro atentado à carteira os 2 euros pedidos em alguns sítios por uma água de 25 ou mesmo 30 cl!!! Pessoal… é água, não é uma qualquer bebida branca!!! Haja, de futuro, algum bom senso neste domínio, pois quem anda no mundo da organização de eventos também sabe que, na grande maioria das vezes, as águas são oferecidas pelos distribuidores como bónus na compra de determinados volumes das restantes bebidas do mesmo ou, não o sendo na totalidade, são-lhes vendidas a meros 10 ou 20 cêntimos por unidade! Ou seja, é só fazer as contas… 

Quanto aos ‘streets’ – fichas que evitavam que os operadores dos vários espaços tivessem que lidar com dinheiro e alimentos – é salutar a criação de uma moeda própria do evento, semelhante, por exemplo, à de determinadas feiras medievais. Muitos apontaram-nas com um sinal “menos”, face às enormes filas para a sua troca, tendo até esgotado no primeiro dia do evento. Uma falha que a organização lamentou de imediato, acabando por autorizar euros nesse dia e abrir mais postos de troca nos seguintes. Depois, toca de ir para novas filas de cada espaço individual, que, por vezes, chegavam a pontos de esgotarem os stocks de determinados produtos! 

Práticas que urge rever em próximas edições e que levaram a que alguns mais inconformados, muitos com crianças pequenas, inundassem de críticas as redes sociais, uma inevitabilidade em tempo real, no presente mundo cada vez mais ‘online’! De qualquer modo, é de aplaudir a resposta muito imediata de quem geria a página de Facebook, não deixando ninguém sem uma resposta adequada ou um pedido de desculpas!




Nos dias seguintes a coisa foi bem mais pacífica, permitindo-se que os visitantes, incluindo alguns repetentes, refastelados nas mantas trazidas de casa ou nos relvados, provassem novas iguarias em veículos oriundos da Alemanha (1), Espanha (1), Inglaterra (2) e Itália (1), que dividiram o palco com os 41 especialistas do palato portugueses. Não fosse o diabo tecê-las em face de tão elevadas concentrações de colesterol em alguns espaços, até se podiam fazer rastreios cardiovasculares gratuitos com a equipa da Paramédicos de Catástrofe Internacional. 

Pena o tempo invernal que durante quase toda a semana substituiu o solinho bom do primeiro fim-de-semana, ensopando o colorido com que se completou o verde dos jardins. De qualquer modo, a enorme adesão é bem elucidativa da aceitação do conceito: se no final do primeiro dia a organização – composta por 17 pessoas – apontou a mais de 20.000 os visitantes, no final dos nove dias do evento por ali passaram cerca de 80.000 comensais!




No final, o Trendy Mind falou com José Borralho, Presidente da APTECE (Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Economia), entidade organizadora do evento, que nos fez o seguinte resumo final: “O balanço é bastante positivo, passando cerca de 80.000 pessoas pelo recinto, cumprindo o objectivo de promover o ‘street food’ e posicioná-lo como uma actividade de futuro, com oferta de qualidade e geradora de dinâmica e entretenimento nas cidades. Também quisemos sensibilizar as autarquias para abrirem portas ao ‘street food’, o que foi igualmente conseguido, sendo várias as entidades que nos visitaram, manifestando a sua intenção em vir a desenvolver eventos iguais e estudarem introduções às actuais regras para proporcionarem a entrada do ‘street food’ nos seus concelhos.” 

Para terminar, acrescento que a iniciativa integrou-se na Cimeira Mundial do Turismo Gastronómico que decorreu no Centro de Congressos do Estoril (um pouco mais acima), onde se apresentaram as novas tendências mundiais no Turismo de Culinária. Ali os diferentes profissionais de gastronomia partilharam os seus conhecimentos, como impulso ao turismo, sector económico de enorme relevância, nomeadamente no nosso Portugal ensolarado e de múltiplas paisagens. Até pró ano! 

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve! 

José Pinheiro 

Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

4 comentários:

Anónimo disse...

Eu fui ao evento e adorei de tal forma que fui 2 vezes. Uma experiência para repetir de certeza se o evento voltar a acontecer.
-> No geral concordo com o que disse excepto uma coisa: as águas. <-
Se este evento fosse um evento fechado, sem grandes hipóteses de escolha de bebidas ditas alternativas (sem álcool e que não induzissem mais sede) e que tivesse restrição de alimentos/bebidas de fora no recinto, daria-lhe toda razão. Contudo, só não levava garrafas de água ou não se deslocava até um dos cafés a 50 metros dum evento aberto quem não queria. No meu primeiro dia esqueci-me de levar água mas encontrei um stand que vendia um copo grande de cha marroquino a 1 euro. Não só matava a sede como era muito bom. No 2º dia que lá fui ainda bem que levei águas porque o chá já tinha desaparecido. Agora, bancas de eventos abertos com zonas de restauração e cafés/bares mesmo debaixo do nariz podem pôr a água a preço de ouro porque é uma questão de profit pela preguiça e isso não faz mal a ninguém. Antes pelo contrário.

José Pinheiro (Trendy Wheels) disse...

Olá, boa tarde.
Obrigado pelo seu comentário. Eu tb fui por duas vezes (à abertura e ao fecho) e achei fantástica toda a envolvência do evento, apesar de alguns percalços.
No que se refere às águas, percebo o seu ponto de vista e a questão do lucro dos expositores, respeito a sua opinião mas mantenho a minha posição. Não há direito, neste ou em qq outro evento, de pedir valores destes por mini-garrafas de água. Apesar de nas imediações haver alternativas mais baratas, era ali q as pessoas estavam, no evento.
JP

Anónimo disse...

Bom dia,

Antes de mais, parabéns por mais um excelente texto. Em relação à iniciativa, também gostei bastante do conceito e do espaço criado para tal.
Espero que se repita por mais ocasiões.
Achei no entanto que o preço praticado na maioria dos stands um pouco elevado.
Os melhores cumprimentos,


José Pinheiro (Trendy Wheels) disse...

Bom dia
Obrigado pelo seu comentário. De facto, um excelente evento de estreia com algumas arestas por limar. Caso se repita em 2016, veremos o que entretanto evoluiu.
Cumprimentos
JP