PEDALAR (QUASE) ‘AU NATUREL’


Não tem complexos com o corpo? Gosta da comunhão com a natureza? Quer mostrar ao mundo que é mais forte do que as consecutivas massas de ar polar que nos visitam? Deverá ainda ser um acérrimo defensor da natureza, mesmo que no dia-a-dia faça milhentos disparates, maior parte dos quais lhe passem – será?! – despercebidos, desde o lixo que não separa ou no uso recorrente dos mais diversos sprays em lata…

Ah, sim, também tem de gostar de andar de bicicleta, a tal peça com rodas que faltava para se inserir na temática “Trendy Wheels”. Se se identificar com tudo o acima, então este tema assenta-lhe que nem uma luva… tanga… parra! Pois… adiante!



Isto porque no próximo dia 8 de Junho que tem lugar a “World Naked Bike Ride Lisboa 2013”, a terceira edição em terras lusas. A temática é a mesma dos dois anos anteriores, num "Vem pedalar o mais nu que conseguires!", convidando-se, por isso, os participantes a completar o percurso da prova envergando o menor número de peças de roupa possível, numa manifestação ciclo-pacifista em prol do planeta, onde se fomenta a utilização de transportes não poluentes – como a bicicleta – e promove a mobilidade sustentável. 

Dependendo do grau de puritanismo das cidades visitadas e da suposta “ofensa à integridade e aos bons costumes” que a exposição dos corpos e seus ‘apêndices’ possa ter entre as populações, os participantes das várias “World Naked Bike Ride” realizadas um pouco por todo o Mundo enfrentam este desafio com os corpos praticamente desnudos, surgindo com mais ou menos pinturas ou mesmo mensagens dirigidas a determinadas entidades (in)competentes.


Por cá, como grande parte da sociedade portuguesa é sensível (para não chamar outra coisa) à nudez integral em público, os participantes das edições nacionais têm sido aconselhados a manterem-se mais vestidos. Por isso, a maioria tem surgido em fato de banho, calções e/ou boxers, com mais ou menos pano, havendo mesmo quem vá de ‘kilt’ escocês - sem mais nada por baixo, ‘comme il faut’ - ou com roupa feita de materiais alternativos.

Fotos: WNBRL e Outros
Se decidir arriscar-se um pouco mais na exposição e quiser arejar as partes pudendas, no limite, terá um tête-à-tête com as autoridades e leva consigo para casa um papelinho que poderá, depois, contestar junto das entidades respectivas pois ele é nulo de legalidade. Afinal, ao contrário do que a maioria pensa - inclusive eu próprio - a nossa legislação não chega a tanto!

É um facto que todos viemos ao mundo do mesmo modo – ok… éramos substancialmente mais pequeninos e com ‘acessórios’ bem mais comedidos – mas a mensagem que se pretende passar não é essa. Apesar dos mais puritanos o verem como tal, a organização destaca não se tratar de um evento para chocar a sociedade, mas antes para expor a vulnerabilidade que os ciclistas e os peões enfrentam nas ruas, entre outras mensagens mais direccionadas àqueles que atentam contra o nosso planeta. Infelizmente há sempre as excepções e os extremismos que destroem a génese dos diferentes eventos em prol de um determinado objectivo. Nada de novo neste domínio no nosso cantinho à beira mar plantado!

Neste particular, a mensagem é simples: “Ande de bicicleta!” É saudável, é exercício, é convívio, num conjunto de vantagens que ajudam a deixar para trás a azáfama da semana de trabalho, os problemas familiares ou outras questões do foro individual. E, afinal, sempre pode vir a ser entrevistado para o Jornal da Noite, ou aparecer num qualquer vespertino nacional, pois a imprensa cobre o evento, até com honras de transmissão em horário nobre! 

Posto isto resta dizer que esta terceira “World Naked Bike Ride” alfacinha corre-se no segundo sábado de Junho. Os convivas partem do parque Eduardo VII, descem do Marquês de Pombal até à Praça do Comércio, rumando depois a caravana ao Cais do Sodré, apontando o azimute à Torre de Belém, onde se fará a concentração final. Depois dos mais de 200 participantes da edição inaugural, a edição de 2012 teve menos de metade, mas nem por isso a organização esmoreceu, pretendendo este ano concentrar um número significativo de defensores – em última instância – do uso da bicicleta. O resto, cada um sabe de si! 

Caso esteja interessado e queira saber mais informações, pode consultar tudo no Facebook da WNBRL  ou na página da World Naked Bike Ride Lisboa

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve! 

José Pinheiro 

Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

2 comentários:

Rui Martins disse...

Caro José Pinheiro

Como membro da organização da WNBR Lisboa, cumpre-me deixar um pequeno reparo ao trabalho por si assinado. Não existe nenhuma lei em Portugal que proíba a nudez, ao contrário do que é por si afirmado.
Estará por certo a fazer confusão com a Lei n.º 53/2010, sobre a prática do Naturismo e que deveria ter sido regulamentada num prazo de 180 dias, mas que nunca o foi e esta manifestação não tem absolutamente nada a ver com essa filosofia de vida, muito louvável e da qual sou um acérrimo defensor.
O que está aqui em causa é o artº 170 do Código Penal, aprovado em Setembro de 2007, sobre «Importunação Sexual» e com a seguinte
redacção:
“Quem importunar outra pessoa praticando
perante ela actos de carácter exibicionista ou
constrangendo-a a contacto de natureza sexual é
punido...”. É assim que a nudez só pode ser condenada caso seja utilizada para coagir terceiros a práticas de índole sexual o que não é de todo o que se pretende com este protesto.
Existem, alíás, vários acordãos, de vários tribunais nacionais, que apontam nesse sentido.

Apesar deste pequeno reparo, quero, em meu nome pessoal, agradecer o trabalho e a divulgação feita ao nosso evento.

Rui Martins

José Pinheiro (Trendy Wheels) disse...

Caro Rui Martins, boa noite.
Antes de mais deixe-me agradecer em meu nome e em nome do blog Trendy Mind, de que faço parte, a atenção dada ao trabalho acima, bem como à divulgação que fizeram do mesmo na v/ página de Facebook.
Quanto ao reparo que faz, registo o alerta, pois de facto fiz alguma mistura sobre legislação em vigor.
Irei, por isso, rever o início do 5º parágrafo, adequando-o à nossa realidade, sem desvirtuar o sentido do texto, nem os objectivos últimos da WRBR Lisboa.
Agradeço, uma vez mais, o v/ voto positivo a este texto sobre "rodas" (a temática da secção Trendy Wheels, do muito abrangente blog Trendy Mind), aliado ao WRBR Lisboa.
Faço votos que o evento do próximo dia 8 de Junho seja um sucesso e que atinjam o máximo de objectivos a que se propõem, numa saudável reunião de ciclistas e defensores da causa ambiental.
Cumprimentos,
José Pinheiro