UM REGRESSO A CASA


Tudo nasce, tudo tem uma vida, tudo tem um final. Nada é, portanto, eterno, mas… até pode até vir a tornar-se, apesar de física e gradualmente se desaparecer da face da Terra, deixando-se para trás toda uma vasta história que se eterniza.


Hoje falo da VW Kombi, por cá carinhosamente apelidado de “Pão de Forma”, fruto do seu formato em tudo idêntico ao dito cujo, um modelo que viu a sua certidão de óbito assinada em 2013, quando o Brasil – o único país que ainda a fabricava – se preparava para implementar novas normas ambientais e de segurança a partir de 1 de Janeiro deste ano, que impediam a continuidade da produção do modelo que dispensava todas as mordomias tecnológicas do presente. Assim, a máquinas que a produziam seriam definitivamente desligadas em meados de Dezembro último, 53 anos depois do seu arranque naquele país! 

Nascida de um esboço feito num papel por um holandês de nome Ben Pon, a “Kombinationsfahrzeug” – ou “veículo multi-usos”, numa tradução mais livre – começou a ser feita em Hannover (Alemanha) em 1950. Ao longo dos seus 56 anos conquistou o mundo, com milhões de exemplares produzidos, nomeadamente no Brasil, país que a produziu até ao ano passado, depois da Alemanha e do México terem parado de a fazer. A versão brasileira manteve toda a sua simplicidade original até ao presente, desde o design que muito pouco evoluiu, até aos conteúdos, dispensando-se ‘coisas’ como airbags, travões com ABS ou sistemas de áudio ‘touchscreen’. E isso foi-lhe fatal!


Uma diferenciação que até se faz na despedida, pois enquanto outros veículos icónicos desapareceram com um simples “adeus”, a VW Kombi ‘brasileira’ quis marcar a diferença. Viatura de características ímpares que, de entre muitas associações de imagem, foi um dos principais símbolos da cultura ‘hippie’, despediu-se de um modo inédito daqueles que, ao longo dos seus 63 anos, a acarinharam, que a viram como parte deles, que a consideraram como família. Os quatro minutos que se seguem resumem-na, num relato na primeira pessoa, simultaneamente comovente e bonito de se ver.



Um modelo que se despede assim de quem a amou, que quis conhecer as suas origens e voltar a ver o seu irmão de carne e osso. Um veículo de que, decerto, ainda se vão escrever muitas páginas, por todos aqueles que ainda a conduzem ou as mimam como peças de colecção, como o serão as últimas 1.200 unidades “Kombi Last Edition” azuis e brancas, fabricadas em São Bernardo do Campo, no Estado de S. Paulo.


Para terminar, destaco ainda a publicidade impressa que a VW lhe dedicou e que, ao contrário do que é hábito nos lançamentos de modelos novos, se apresenta como uma declaração de despedida. Sob o título de “Vai aí a Kombi. Em breve em nenhuma concessionária perto de você”, considera-se esta irrevogável realidade como “o deslançamento menos esperado da indústria automobilística mundial”!

Fotos: VW Brasil e outras
Se quiser conhecer esta história em mais detalhe, visite o ‘site’ dedicado da VW Brasil e leia “Os 15 Últimos Desejos da VW Kombi” ou as histórias partilhadas por muitos anónimos, associadas a este ícone da indústria automóvel dos Séculos XX e XXI. 

Cumprimentos distribuídos irmãmente e até breve! 

José Pinheiro 

Notas: 1) As opiniões acima expressas são minhas, decorrentes da experiência no sector e de pesquisa de várias fontes. Os restantes membros deste ‘blog’ não têm obrigatoriedade de partilhar dos mesmos pontos de vista; 2) Direitos reservados das entidades respectivas aos ‘links’ e imagens utilizados neste texto, conforme expresso.

2 comentários:

Anónimo disse...

Adorei, muito emocional.
Ana

José Pinheiro (Trendy Wheels) disse...

Bom dia.
Sim, uma despedida bem imaginativa
Obg
JP